"Alma limpa, amor na transversal...
Planejando o (in)certo"


31 de julho de 2012

31/07/12

Manhã de 31/07/12


Ligação para Hospital: 
- Bom dia, já liberou o boletim da UTI?
- Sim, qual o nome do paciente?
- Paciente X.
- Estado gravíssimo, respira com ajuda de aparelhos, urina pouco, paciente sedado.


Ontem eu imersa em uma confusão trepidante e estupida causada não sei exatamente pelo que quis-me internar, quis trancar a faculdade, quis destruir todos os meus sonhos... Passado o rompante insano tomei um banho e decidi ir na faculdade arrumar a minha grade afinal falta um ano, ainda que não seja o que eu queira, ainda que não vá dar certo porque eu haveria de desistir? Tudo sempre foi assim, sempre foi mais fácil desistir largar mão e me internar algum tempo para fazer sentido.


Hoje meu sentimento é outro, ontem pela primeira vez dentro de uns 9 anos estertorei quase tudo que precisava mas estertorei sem ferir ninguém, sem me ferir, joguei fora, usei palavras e sorrisos...


O meu tio - esse da UTI - veio do interior teve vida bagunçada filhos espalhados, muita dor muito sofrimento ao longo da vida e nos últimos 50 dias tem sido um desgaste verdadeiro para minha família porque no fim a vida vai se esvaindo, o coração enfraquece de verdade e o corpo não aguenta, a idade é avançada e respirar - de verdade - dói, tudo que escrevi ao longo desse blog desde 2009 foi em relação a uma dor que eu não entendia - e continuo a não entender - mas posso dizer a vocês que ontem depois de ouvir algumas coisas e de saber me conter e hoje depois de repassar esse telefonema para a minha mãe eu cresci, cresci não conceito de ninguém, mas no meu próprio conceito, me senti guerreira e sei que é assim que quero continuar a ser, sempre sempre.


Como já disse algumas vezes;
 
"Ferro e aço
Brita e rocha"

Acervo pessoal


Um comentário:

  1. E é nas dores, amores, autores de nossas cores, nem sempre vívidas ou vividas, que vamos nos aconchegando e seguindo adiante... pois a vida não para e, como fazemos parte dela, também não devemos nos acomodar. Também já pensei em largar tudo e todos e me recolher num canto só meu... isolado... marcado... magoado... Mas aí eu penso... NÃO ! A Margrinha não pode ficar aqui sozinha... prossigamos então !

    ResponderExcluir