"Alma limpa, amor na transversal...
Planejando o (in)certo"


19 de setembro de 2010

Vai Passar

Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está ai, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada "impulso vital". Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te supreenderás pensando algo como "estou contente outra vez". Ou simplesmente "continuo", porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloqüentes como "sempre" ou "nunca". Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicidio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim - nós, não. Contidamente, continuamos. E substituimos expressões fatais como "não resistirei" por outras mais mansas, como "sei que vai passar". Esse o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência.
Claro que no começo não terás sono ou dormirás demais. Fumarás muito, também, e talvez até mesmo te permitas tomar alguns desses comprimidos para disfarçar a dor. Claro que no começo, pouco depois de acordar, olhando à tua volta a paisagem de todo dia, sentirás atravessada não sabes se na garganta ou no peito ou na mente - e não importa - essa coisa que chamarás com cuidado, de "uma ausência". E haverá momentos em que esse osso duro se transformará numa espécie de coroa de arame farpado sobre tua cabeça, em garras, ratoeira e tenazes no teu coração. Atravessarás o dia fazendo coisas como tirar a poeira de livros antigos e velhos discos, como se não houvesse nada mais importante a fazer. E caminharás devagar pela casa, molhando as plantas e abrindo janelas para que sopre esse vento que deve levar embora memórias e cansaços.
Contarás nos dedos os dias que faltam para que termine o ano, não são muitos, pensarás com alívio. E morbidamente talvez enumeres todas as vezes que a loucura, a morte, a fome, a doença, a violência e o desespero roçaram teus ombros e os de teus amigos. Serão tantas que desistirás de contar. Então fingirás - aplicadamente, fingirás acreditar que no próximo ano tudo será diferente, que as coisas sempre se renovam. Embora saibas que há perdas realmente irreparáveis e que um braço amputado jamais se reconstituirá sozinho. Achando graça, pensarás com inveja na largatixa, regenerando sua própria cauda cortada. Mas no espelho cru, os teus olhos já não acham graça.
Tão longe ficou o tempo, esse, e pensarás, no tempo, naquele, e sentirás uma vontade absurda de tomar atitudes como voltar para a casa de teus avós ou teus pais ou tomar um trem para um lugar desconhecido ou telefonar para um número qualquer (e contar, contar, contar) ou escrever uma carta tão desesperada que alguém se compadeça de ti e corra a te socorrer com chás e bolos, ajeitando as cobertas à tua volta e limpando o suor frio de tua testa.
Já não é tempo de desesperos. Refreias quase seguro as vontades impossíveis. Depois repetes, muitas vezes, como quem masca, ruminas uma frase escrita faz algum tempo. Qualquer coisa assim:
- ... mastiga a ameixa frouxa. Mastiga , mastiga, mastiga: inventa o gosto insípido na boca seca ...


( In Dispersos)

Caio Fernando de Abreu

"E uma compulsão horrível de quebrar imediatamente qualquer relação bonita que mal comece a acontecer. Destruir antes que cresça. Com requintes, com sofreguidão, com textos que me vêm prontos e faces que se sobrepõem às outras. Para que não me firam, minto. E tomo a providência cuidadosa de eu mesmo me ferir, sem prestar atenção se estou ferindo o outro também. Não queria fazer mal a você. Não queria que você chorasse. Não queria cobrar absolutamente nada. Por que o Zen de repente escapa e se transforma em Sem? Sem que se consiga controlar".

18 de setembro de 2010

Inconcluso-direção


A gente entra em crise
A crise corta à gente
A gente corta à gente
Que nos corta e força...

A gente roda
Perde a força e se corta...

Essa gente que corta
Essa gente que se corta
Esse monte de gente que é toda torta...!

A gente é foda
A gente é que nem roda
A gente mente, desmente e nem se importa....

A gente nunca esta certo
Estamos espertos e incertos na nossa própria inconclusão.

A gente não sente o que a verdade desmente porque o pecado é latente!

Futricação

Quando é que eu -detentora de todos EU'S- serei capaz de cuidar de mim?


Estou cansada
Minha família, leia-se minha mãe, esta cansada de tudo isso!
Desse corre corre louco, desse liga liga pra assistente social, desse vai e vem da clínica desse troca troca de medicação, ela esta assim, imaginem eu...
É pois é, 2 meses e 18 dias pra ser bem precisa entre rivotril, alprazolam, haldol, amplicitil, lorazepam, topiramato, neozine, fluoxetina, até anti-etanol, até anti-etanol, me expliquem porque? É não existem porque, eu sei que cicatrizes horríveis tem aos montes em mim, em minha mãe, em todos que passam por isso juntos comigo...

O intento nunca foi machucar ninguém, era simplesmente não sentir assim com tanta força tudo o que sinto, com tanto fervor tudo o que me doí e me causa extrema repulsa

Estou cansada de lamentações...
Fúteis lamentações, vou me restabelecer
Só não me perguntem como
Me sinto uma criança...
perdida
nem sei fazer nada, mal consigo assistir as aulas...
Mas vou dar um jeitinho, uma reboladinha....
Eu consigo...
Ou não...
nem importa
tenho sonhado muito...
tem sido tão real

Talvez eu possa sim chegar lá, talvez eu só não saiba como ou realmente não queira!

14 de setembro de 2010

Bagunço-alucinação!


Avoadinha...
Mutilante de si mesma
Descalça na beira da estrada

Ah!

Quantas loas...
Riscos avervemelhados, sonhos aveludados...

Borboletas flutuam tão lindamente
E aquelas flores?!

Doce aroma a dançar
Bela sintonia...
Nem sabemos como ignorar...
Fracos e frágeis...
Assim!
No final sempre somos assim;
Não, não sabemos do si imagine do mim? (rsrsrsr)

Espelhos a quebrar, cabelos a balançar, dedos a tocar...
Passageiros de nós mesmos...
Não sabemos...
Não!
Também não cremos...
Não queremos
No mais, somos tolos irracionais!
Bonecos inflaveis fáceis de manusear porem difíceis de controlar!
Mais anti-maníacos por favor!
Dose cavalar
Preciso -com força- viver!
Preciso dos meus eu's por inteiro pra sobre-VIVER!

Confuso-indecisão: Vou sem que nem porque assim como tudo começou dar um fim nisso, sim! Vou ser forte, rocha e brita né?! Eu posso, e se não puder vou saber que tentei, de novo e de novo e errando e caindo e me machucando e me esfolando mais um pouco, e jamais deixando de ser quem eu sou, deixando de ousar e deixando de aprender!
Azul, pontilhada, medrosa e ousada!
Assim!
Essa!
Agora a junção cognitiva que se deu foi essa e tanto faz se você não está entendendo, mas agradeço por estar lendo -rsrs-!
Obrigada pela atenção!
Sou grata aos que por uma vez ou duas ou até vinte não importa tentaram!

10 de setembro de 2010

Eu?! Não? Eu.


Na contra mão da estrada
Dando ré de ponta cabeça
Cicatrizes todas a mostra...
olhares atentos
Sim! Vim/fui enfrenta-los
Rocha e brita não?
O que se passa comigo?
Tão louca!
Espontânea?!
Eu mesma? Rs rs
São tantos eu's que já que perdi...
Acho que já chegou a hora de me definir....
Afinal, quem eu sou?

A menina azul?
A levemente cortante?
A manipuladora?
A borderline?
A meiga?
A louca?
A alucinada?
A sedutora?
A egoísta?
A prepotente?
A inocente?

Ou simplesmente a junção cognitiva de todas elas?

É, pois é!

Rsrs chega a ser engraçado lidar com eu, meu outro eu e meus eu's mesmo!

Vamos lá devagar contando as pedrinhas
analisando as entrelinhas...

Ai ai bonequinha conta uma nova historinha

8 de setembro de 2010

Obrigada

Nada premeditado!
O telefone toca uma voz amiga: -Mah! Preciso sair, conversar, sei-lá, talvez um cinema, você pode?
Eu: (Já cansada da monotonia do lar, não pensei duas vezes) vou falar com minha mãe e já te ligo!

Bingo!!!

Ela me devolveu o cartão azul -limite liberado- e as 20:00 eu estava pronta, lá fomos nós...
Estacionamento cheio, sessão esgotada, tá!
Um sorvete fomos tomar, um volta no parque fomos dar...
Conversa vai conversa vem...
A certeza da amizade como isso é bom né?
Só estar sentados ali, aquela cumplicidade boba e um cigarro acesso!
Pois é...
Pequenas coisas da vida né?
Música alta no carro, fast food na volta só isso!
Só?
Só!
Não me sinto vazia, esta tarde deveria estar na cama não dormi a tarde...
Me sinto um alguém! Só isso!
Que bom não?
Obrigado esse alguém que me faz tão bem...
que cuida de mim
que me faz rir
e que cultiva isso que eu as vezes esqueço bem como é!

Obrigada por lembrar assim de mim, ainda que nesse jeito torto que todos temos =)

3 de setembro de 2010

Luzes Da Cidade

Eduardo Dussek

Vi seu olhar, seu olhar de festa
De farol de moto, azul celeste
Me ganham no ato, uma carona pra lua

Te arrastei, estradas, desertos
Butecos abrindo e a gente rindo
Brindando cerveja, como se fosse champagne

Todos faróis me lembram seus olhos
Durmo a viajar entre lençóis
Teu corpo fica a dançar
No meio do nosso jantar
Luz de vela

Aventurar por toda cidade
A te procurar por todos lugares
Pintam ciúmes na mesa de um bar
Mas você sente e começa a brincar
Diz, fica frio meu bem é melhor relaxar
Palmeira no mar

2 de setembro de 2010

Coragem

Coragem, tudo que não tenho e preciso
talvez com um pouco disso em algo me acrescente
em algo eu me apresente!
Não suporto essa não vida e essa fuga cognitiva
estou presa nos meus próprios braços
na minha própria canalhice e falta de objetividade
Não quero mais viver, mas não sei mas como desistir!
Espero em um dado momento me permitir!
Quero nesse meus gritos de morte uma vida e um sorriso verdadeiro...
Será que alguém pode me ajudar?
Será que eu posso me ajudar?


Morri