"Alma limpa, amor na transversal...
Planejando o (in)certo"


1 de agosto de 2010

Livre fingir




Dividas, dividas!

É o que eu tenho nesse momento além de dor e vontade de sumir...
Esse não é um texto bonitinho onde a angustia vem disfarçada e a morte temperada a noz moscada!
Estou realmente chateada comigo, com minha família e com o prejuízo causado pelo maldito consumismo.
Consumismo esse que é fonte pequena
Mas fonte de algum prazer, meio de suprir algo que não entendo bem...
Eu nunca havia -até então- escrito aqui me derramando toda, mas agora escrevo, porque não tem sentido pra mim existir dessa forma...
Parece e pode ser um drama ridículo mas à partir do momento que não tem saída e meu entendimento se faz nulo...

Ridicularizarei...

Eu estou frágil, carente, fui privada das coisas as quais me divertiam...
Me anulam de uma forma tão dolorida
Sem saídas,
sem cartões,
daqui a pouco não terei nem celular...
nesse ritmo é sério, bem sério!

Não queria que essas coisas acontecessem, minha cabeça está confusa, ontem fiz coisas das quais não deveria ter feito e talvez prejudique um pouco mais meu tratamento!

Tratamento de merda, borrado de sangue e rabiscado de azul!

Azul é a cor da sala onde passo mais tempo...
Tempo esse que tentam ocupar, eles querem me observar o tempo todo e atarde quase toda a tarde a euforia vem: louca e desesperada...
Mas logo é controlada as 14:00 horas pra ser mais precisa, mais um comprimido mais uma forma barata de opressão!

Me sinto reprimida mas isso -pelo visto- passa longe da percepção, aqui e lá.
Me sinto bem quando estou eu e minha mãe, meu irmão -mais novo- que se acha o tal -e talvez seja- me trata como um lixo, me trata como realmente eu venho sendo né?
Meu pai, a meu pai eu sofro por nossa relação...
Acho que até então nunca havia me exposto de tal forma...

E eu?

Sempre fui a filha torta, a filha endividada, a filha que furtava os pais a filha que dava trabalho no colégio, a filha que aos 15 anos foi internada e que não lembrava bem de como era tudo isso...
Mas agora, meio que sem querer eu sou obrigada a lembrar e reviver a mesma internação, a mesma privação...

Paredes amarelas, televisão, pátio legal (não gosto de ficar no apartamento) um quarto pra três, duas mais normais que eu...
Pense,
eu paciente de risco, observada analisada e depois "amiga" das enfermeiras...
Foi assim por 12 dias até o médico decidir que eu não precisava estar ali nessa frequência e me mandar pro hospital dia -onde estou até hoje-

Ontem fui escrever uma redação pra uma vaga de estágio e o tema era MINHAS FÉRIAS eu me senti tão mal por não conseguir, não tinha condições não tive férias...
Faz um mês que estou assim:
Interna,
na troca de remédio toda semana,
secando o cabelo dia sim dia não,
recebendo elogio de gente pirada,
tentando me esconder atrás da minha vaidade,
dos meus esmaltes coloridos...

Mas minha família acha que eu estou é ficando bem...
São ocupados de mais pra ter qualquer percepção sobre isso...
Eu queria que eles tivessem acesso a essa minha escrita torta, a esse meu desabafo,
Só preciso ter cuidado pra não ser privada de mais nada...
Para não ter medo o suficiente pra me privar de mim mesma,
dos meus desejos, vontades...

Durante esse período vou tentar nesse livre fingir melhorar, nesse leve anular não me matar!


Obs.: Peço desculpas pelo texto confuso e sem nexo e agradeço quem teve disposição para ler!

2 comentários:

  1. mah, em relação a tudo que vc disse eu posso dizer que estou no mesmo barco...
    então, pense que vc não é a única, que dói, é difícil mas vamos superar! vc precisa acreditar que isso é uma fase... uma fase ruim que vai passar.
    beijão

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  2. Complexo, tenso, intenso e interessante: assim como você, o texto também é.
    Criatura e criador em perfeita sintonia.
    Um beijo!
    Marília.

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