"Alma limpa, amor na transversal...
Planejando o (in)certo"


23 de junho de 2010

Cotidiano


Não a normalidade e a chatice de um dia comum...
Mas o cotidiano que era divertido e prazeroso, esse sim!
Prazer doce avermelhado, talvez planejado...
mas não inventado.

Era o dia após o outro, após o primeiro encontro...
A sala fria, a mesa áspera, o sorriso tímido...
E assim percorria longa a primeira semana com medo de tudo, sem entendimento de nada...

Ah, como o corredor era longo eu podia sentir os olhares...

Tinha vergonha, sentia frio naquela sala, não sabia bem o que fazer ou qual delas ser...

Então fui, uma delas de primeira:
a inteligente,
esperta,
de passos precisos,
de voz sedutora
de organização infalível...

Funcionou bem nos primeiros meses, mas logo a outra precisou aparecer, ela quis gritar, estava enojada da situação -essa que até então era comum- pois ela gritou e se descabelou, ficava perto de mais 4 o dia todo: 4 falastrões, 1 machista falso, fingido, mentiroso, mal, verdadeiramente cruel -eu afirmo e tenho como provar- o outro era um simples homem, educado de natureza, fino em suas vestes, cuidadoso com suas coisas, amável em sua vida, a outra muito simpática porem um pouco desiludida e complexada com a vida, tinha problemas amorosos e uma filha distante... e por ultimo uma pessoa que muito me encantou, muito me ensinou e me ajudou de uma forma que nunca serei capaz de descrever...

Mas ela em toda sua fúria não aguentava mais aquelas vozes, aquelas cores...
Ela queria sumir, a vontade era de deixar um bilhete rabiscado:
Precisei ir, fui!

Coragem para tal ela nunca teve e fazia pior se trancava no banheiro em meio aquele turbilhão lá fora, se trancava e tinha a fina e avermelhada companhia de uma "amiga"...

A se ela tivesse sido qualquer uma delas das cinco ou das seis, não dá pra compreender mais, se ela tivesse sido, talvez estivesse lá, talvez tivesse um cotidiano comum, mas a dor seria menor, ela tem de fato saudade porque se divertia, tinha amigos e seus pequenos surtos eram controlados...

Agora ela tem dia atordoados, não se define... É todas elas a todo tempo!

Se perde,
confunde,
mescla,
gira,
corta,
inventa,
para,
volta,
vai,
corre,
tenta,
desaponta,
atropela,
ignora,
falha,
foge,
arranca...
E não é, não é nada, nenhuma!

Ela se perdeu nos braços das outras, simples quando aceitou aquela dor laminada, quando se prestou a esse papel e a essa ilusão...

Ela não está bem, só não esta pior!
Está possivelmente embriagada, descabelada e de mãos atadas...
Nula e avermelhada!

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